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30.9.09

Odil Fono Brasil


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Pois,é....como já contei, um dia, lá pelas tantas resolvi abandonar a AIC e dublar apenas na Odil. Ficava no Sumaré,rua Petrópolis aqui em São Paulo.
Foi na Odil que conheci a voz da Rosinha, hoje também locutora do Clube da Voz e que continua dublando para alegria de todos nós seus fãs.
Conheci também Araquém Saldanha, grande voz, grande dublador e intérprete. Lá trabalhava o gentil e sorridente Romeu de Freitas, hoje diretor de um departamento na Tv Cultura, e tantos e tantos amigos e amigas, alguns ainda por perto.
Na Odil fiz um cem número de dublagens de filmes nacionais, além dos americanos,claro.
E se eu tive por lá algum personagem fixo em alguma série, juro que não me lembro....Tem coisas que meu cérebro,muitos anos atrás resolveu apagar, sem pudor ou cerimônia, e muito menos com minha permissão!

Desde menina sentia um clamor da alma muito forte! Assim, um quase incômodo, uma inquietação, uma espécie de bruma que me empurrava para uma direção desconhecida.
O pior é que não tinha com quem partilhar esses anseios e sequer sabia explicar-me.

Ainda se faz necessário contar que por volta de uns quatro, cinco anos de idade meu pai apareceu com uma caixa de madeira em nossa casa. Além de divertir, aquilo era também um novo símbolo de status econômico. E nós tínhamos condições para isso!
Cresci vendo, absolutamente tudo que passava na tv, especialmente na Tupi.
E quando digo tudo, era tudo mesmo....Muito comum eu me perceber sozinha na sala enquanto tinha os olhos grudados naquela tela.
Do Sítio do Picapau Amarelo ao Falcão Negro, da TV de Vanguarda ao Grande Conserto Pascoal Bianco,do Pim Pam Pum ao Tv de Comédia, nada passava sem que meus olhos vissem e minha cabeça registrasse Até mesmo o moderníssimo noticiário televisivo da época, o Reporter Esso.
Ficava encantada com Idalina de Oliveira, garota propaganda e apresentadora.....Elizabeth Darci, mãe do jornalista esportivo Silvio Luiz e da minha querida Maria Cecilia. Era um mundo além da minha realidade. Da mesma forma como é hoje este mundo virtual, além da nossa realidade, um universo paralelo dentro de outras caixas. Caixas pequeninas ainda mais mágicas.
Ah, e a voz de Marcia Real?!! Forte, modular, linda...Tudo eu registrava, mas numa descoberta solitária.

Naturalmente que meus neurônios foram contaminados por aquela luz cinza azulada e por todo o conteúdo que ali se apresentava.
Futuras posturas, idéias, sentimentos, objetivos, sonhos, criatividade, consciência, questionamentos,conceitos, ideais, tudo enfim, desbrochou contemplando aquela tela!
Com sentimentos e emoções estranhas, pouco definidas, segui minha vida de atriz dubladora ainda adolescente, achando que tudo já estava resolvido.
Porém, as Moiras não só não aposentaram suas agulhas, como continuavam a tecer, e tecer, e tecer...

Certo dia na Odil percebo um entra e sai do estudio onde eu gravava. Eram dois inquietos visitantes. Assistiram toda a minha gravação, e quando terminei veio o convite direto e sem rodeios - ""Quer participar de uma novela na TV Tupi?"" - 'Heimmm? Como? hããã...sim, claro!!'
E lá fui eu pelas mãos do meu queridíssimo amigo Ico, produtor e diretor de tv respeitado, para um novo estágio de minha vida. Desta vez em televisão, como atriz de novelas!

4 comentários:

Thiago disse...

Ótimo post! Muito interessante saber que você trabalhou na Odil Fono Brasil, um estúdio que mesmo tendo tido uma importância para a sua época, hoje está esquecido por muita gente. Isso se deve, entre outras coisas, à dificuldade em encontrar produções dubladas pela empresa. Para se ter uma ideia, tenho centenas de filmes gravados, e posso contar nos dedos os que têm dublagem da Odil. De cabeça lembro apenas de "Spectro".

denise.haron disse...

Olá, é claro que não me conhece, mas sou filha do David Haron Brandão que foi gerente da Odil FonoBrasil, legal ter encontrado você e ter conhecimento de sua bela carreira, gostaria de manter contato com vc, fiz algumas dublagens também quando criança.
Um grande beijo com carinho, Denise

Thiago disse...

Mais um filme que eu consegui com dublagem da Odil Fono Brasil.

Trata-se do faroeste "Os Quatro do Apocalipse" (1975).

Anônimo disse...

Fui a ODIL FONO BRASIL uma vez quando meu pai lá me levou para assistir o filme A MALDIÇÃO DA CAVEIRA ....com o ator peter cushing....bons tempos aqueles....em seguida quando a Odil fechou Um grande amigo e meu e diretor Salathiel lage negociou o equipamento que lá existia para a TVS São Paulo.....grande abraço!! Cazarré filho.